
O Senhor Al Pastelino tinha a melhor pastelaria da cidade de Zaga, os seus bolos de amendoa, de tamaras e de figos secos eram uma delicia, vendia centenas deles por dia. Além disso, tinha três filhas belíssimas, não eram lá muito inteligentes, e podiam ser até um bocado arrogantes, mas, eram umas excelentes doceiras. Tinha também dois filhos, um bocado abrutalhados e que estavam encarregados dos fornos. A sua mulher, a senhora Al Ignorata, dirigia aquilo tudo com mão de ferro. As suas belas filhas estavam todas em idade de casar e pretendentes não faltavam. Apareceu um jovem médico que queria casar com a mais nova, mas, pertencia a outra tribo e tinha umas crenças esquisitas. O senhor Al Pastelino encarregou os dois filhos de lhe pregar um susto, para ele deixar a filha em paz. Foi remédio santo. Depois, foi um advogado, viúvo, que queria casar com a mais velha. Também era da outra tribo, e o senhor Al Pastelino usou o mesmo método. A filha do meio andava embeiçada por um jovem musico e aí foi o próprio senhor Al Pastelino que correu com ele. Apareceram mais alguns pretendentes, mas nenhum ao gosto do pai das raparigas. O senhor Al Pastelino, seguia o conselho do seu avô e desconfiava das pessoas muitos inteligentes e com a mania da superioridade. Quer dizer, apreciava a inteligência, mas, só até a um certo ponto, pois, acreditava que, as pessoas muito, muito inteligentes, acabavam por ficar burras. Esmiuçavam muito, perdiam-se nos pormenores, nas picuinhices e esqueciam-se de ver o quadro todo. A tribo vizinha era um exemplo disso, como é que pessoas tão inteligentes tinham vindo viver para aquele fim do mundo? Era só terra ressequida, pedras, plantas raquiticas, um clima implacável e maus vizinhos por todo o lado. Decidiu assim, que iria casar as três filhas com os filhos do seu primo Al Teim-oso que vivia no outro lado da cidade. Eram rapazes simples, mas trabalhadores, que se dedicavam sobretudo á abertura de poços e construção de abrigos subterrâneos. Eram conhecidos como os irmãos Oso, e davam pelos nomes de Al Tinh-oso, Al Ranh-oso e Al- Fanh-oso, e, eram mais ou menos da idade das suas filhas, além disso, como estava a pensar expandir a pastelaria e construir mais dois fornos, a mão de obra extra e familiar dava-lhe jeito. Com certeza que os rapazes não se importavam de trocar um trabalho duro como o deles, por outro, que embora mais quente, era mais confortável.
Meu dito, meu feito. Falou com o primo, que falou com os filhos, e numa questão de meses ficou marcado o casamento. Iriam casar todos ao mesmo tempo, assim poupavam na cerimónia. As filhas do senhor Al Pastelino não foram tidas nem achadas, e concordaram com tudo, pois não tinham outro remédio, era um costume da tribo. Realizou-se o casamento com uma grande festa, correu tudo muito bem e os noivos foram felizes para sempre. Quer dizer, felizes, mesmo felizes, não foram, mas a felicidade é algo relativa. A filha mais velha, casada com Al Tinh-oso, teve três filhos, tudo rapazes, e, o marido, a partir do terceiro filho passou única e exclusivamente a sodomizá-la, á laia de contraceptivo. A filha do meio, casada com Al Ranh-oso, descobriu que ele era viciado em jogo, e, quando não tinha dinheiro para jogar, apostava-a a ela. Como ele perdia quase sempre, foi usada e abusada por uma série de homens, teve dois filhos rapazes, mas, não fazia a mínima ideia de quem era o pai, ou, os pais. A filha mais nova, casada com Al- Fanh-oso, descobriu logo na noite de núpcias que o marido era homossexual, quando ele sacou da mala um pénis de cerâmica enorme, e sem vergonha nenhuma pediu-lhe que ela o sodomizasse. A filha mais nova teve também um filho, mas, o pai era o cunhado, o Al Tinh-oso, que com a sua irmã entrava pela porta das traseiras, mas, com ela, fazia questão de entrar pela porta da frente. Claro que o senhor Al Pastelino e a dona Al Ignorata, não faziam a mínima ideia destes acontecimentos. Aliás, o senhor Al Pastelino andava feliz da vida, tinha seis netos, felizmente todos rapazes e, o negócio corria lindamente, era bem visto na cidade e, embora lhe chegassem aos ouvidos alguns zunszuns sobre os seus genros, atribuía isso á inveja e á má língua. Era óbvio que se houvesse alguma coisa de sério nesses boatos, as suas filhas já teriam falado com ele, ou melhor, já teriam falado com a mãe. As suas filhas eram demasiado verdes para outras bocas que não fossem as dos seus queridos genros. Andava tão feliz que resolveu criar um novo bolo, um pastel feito á base de romã, que era a fruta favorita da outra tribo e, em francês se apelidava de Grenade. Até já tinha o slogan na cabeça; "Granadinhas, um sabor intenso que explode na boca, e nos leva directamente ao céu". Encheria Zaga de granadinhas, não se falaria de outra coisa em todo o país, e até no estrangeiro. Razão tinha o seu avô, não era preciso ser muito inteligente para se ser feliz.
F. Kaskais Web Guru
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